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28/03/2008 - 13h18

Dinheiro virando fumaça

 
 

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(artigo publicado no jornal Correio do Estado, 25/3/08, p. 2a) 

Sônia Hess (professora da UFMS)

Há previsões de que, neste ano, o período de estiagem vai ser longo, nas regiões centro-oeste e sudeste. Então, no outono e inverno deverá haver muita fumaça no ar, proveniente de queimadas em áreas urbanas ou rurais. Na mesma época, um grande número de crianças adoecerá e deverá ser registrado um número superior ao normal, de óbitos devidos a problemas respiratórios e cardiovasculares, incluindo, infarto, acidentes vasculares (derrames) e crises de hipertensão. Tudo isto já é esperado por cientistas e autoridades, porque muitos estudos científicos já comprovaram que a poluição do ar mata milhares de pessoas, todos os anos, também no Brasil. Mas, há fatos novos que poderão levar a uma rápida mudança nesta trágica tradição.

O elevado custo da energia elétrica, bem como a escassez de lenha proveniente de fontes legalizadas, tem forçado os empresários a buscarem novos combustíveis para alimentarem as caldeiras industriais. Por isso, quando os pecuaristas queimam as pastagens, para que o novo pasto possa crescer, estão perdendo dinheiro, porque a palha seca poderia ser cortada e vendida a indústrias, como combustível. Mesmo que o pecuarista não acredite, o novo pasto deverá crescer, já que o sol poderá alcançar o solo. Ou, se ainda quiser insistir na tradição, ele poderá queimar o pouco que restar do capim seco depois da poda, causando bem menos poluição. Dependendo do tamanho da propriedade rural, e se esta estiver de acordo com a legislação ambiental, a substituição da queima pela poda do capim seco poderá render, inclusive, dividendos provenientes da comercialização de créditos de carbono.

Nas plantações de cana-de-açucar, se o proprietário não quiser, ou não for possível adotar o corte totalmente mecanizado, a queima da palha poderá ser substituída pela sua poda, empregando-se maquinário portátil semelhante àquele utilizado na limpeza de gramados e jardins. Todo o material cortado poderá ser utilizado como combustível em caldeiras, rendendo lucros para os donos de canaviais e para o poder público, ao evitar-se os custos associados ao tratamento médico dos trabalhadores do setor sucroalcooleiro e da população, que adoeceriam devido à exposição aos poluentes liberados durante a queima da cana.

Nas carvoarias, a contínua exposição à fumaça causa severos danos à saúde dos trabalhadores e dos moradores das vizinhanças. Por isso, o Ministério Público do Trabalho e outros órgãos governamentais deveriam exigir a substituição dos fornos atualmente em funcionamento por outros sistemas de produção de carvão vegetal, em que os gases gerados durante o processo fossem capturados e tratados de forma adequada, como já vem ocorrendo em diversos locais. Inclusive, é interessante destacar que tal procedimento geraria lucros secundários para o dono da carvoaria, uma vez que a fumaça contém componentes que, após tratamento, podem ser utilizados como matérias-primas industriais como, por exemplo, aromatizantes de alimentos.

Nas áreas urbanas, ao invés de queimar ou encaminhar ao lixo os resíduos provenientes da limpeza de terrenos e quintais, os proprietários poderiam: depois da secagem e retirada de restos de solo, vendê-los a alguma indústria (padarias, inclusive), para servirem como combustíveis; ou, se a quantidade for pequena, reservá-los em um canto do terreno, misturá-los (se possível) com resíduos de cozinha (somente vegetais) e, depois de molhar e revirar uma vez por semana, obter um excelente adubo, após aproximadamente três meses.

Portanto, resta-nos torcer para que estas notícias se espalhem. Quem sabe, então, neste outono e inverno poderemos ver nossas crianças e idosos respirando aliviados, saudáveis, ao mesmo tempo em que lucros possíveis vão se concretizar, parando de "virar fumaça".

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