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20/10/2008 - 07h56

Artigo - Digressões sobre a felicidade das vacas

 
 

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Fui ao açougue (ainda existem muitos aqui na Alemanha) comprar carne moída para o indispensável molho à bolonhesa que melhor sabe acompanhar o entulho italiano de massas. Fiz rápido o cálculo do câmbio e verifiquei que deveria pagar mais de quinze reais por quilo do picadinho. Ao lado havia um atraente bife de embalagem individual, a vácuo, com ligeira gordurinha lateral que me fez supor uma picanha fatiada - e fez água. As cento e poucas gramas do bife custavam cinco reais; que daria em torno de quarenta o quilo.

Achei que estavam querendo explorar a minha saudade de casa...levei o picadinho. E achei caro. Por um terço de preço encheríamos esses gringos de carne até o arroto.Depois me informaram que eu tinha ido a um açougue especial que cobrava mais caro porque só vendia carne de "vaca feliz" - happy cow, disseram em inglês. Nunca me havia ocorrido tal sofisticação: apartar vacas por fatores psicológicos. Julguei-me logo um estúpido por nunca haver percebido em minhas vaquinhas o menor sintoma de angústia, depressão, nem a menor tristeza. A explicação esclarecedora me acalmou. "Vaca feliz" é aquela que caminha pelos campos, toma sol, bebe água nas lagoas e principalmente come capim. Tomei-me de orgulho lembrando-me do Pantanal e julguei-me, de imediato, o criador de vacas mais feliz do mundo.

Há uma lição nesses fatos aparentemente excêntricos e sem importância. É a lição da preocupação ecológica no Primeiro Mundo. A vaca feliz é a vaca ecologicamente correta. Entre alegres jovens perguntei a uma moça por que ela havia abandonado o consumo de carne. A resposta foi seca e rápida: hormônios e antibióticos usados pelos fazendeiros e a vaca louca. Não é novidade que o mercado de carne de vaca, mesmo das felizes, está encolhendo na velha Europa. Nas gôndolas dos supermercados, a carne de bovinos ocupa um espaço bem inferior à do porco, dos embutidos e do frango.

Os argentinos por meio de marketing mantêm o seu pedaço. Nos supermercados, a carne deles tem a marca de origem - selo - e mesmo nos restaurantes, os cardápios indicam os pratos com carne argentina. E nós?

Nós temos, em potencial, o maior mercado consumidor de carne do mundo – o nosso. E é mercado com poder aquisitivo em ascensão. Basta cuidar para não o perdermos de todo, pois uma grande faixa dele já nos foi tomada pelo frango. Outra faixa está sendo tomada pelos argentinos também. De São Paulo ao Rio Grande. Basta freqüentar restaurantes para ver. E nós? Nós não podemos fazer marketing. Vamos continuar unidos, de mãos dadas com os nossos "altos" dirigentes classistas de cócoras e babando pelos cantos da boca.

Po: Abílio Leite de Barros para o Correio do Estado

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