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06/08/2008 - 09h12

Artigo de Abílio Leite de Barros: Quem vai salvar o Pantanal? (II)

 
 

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Em artigo anterior comentamos a situação paradoxal de grande parte dos pantaneiros que estão vivendo sinais de insolvência, no exato momento em que os preços se elevam. Essa situação facilmente se explica, pois a sua sobrevivência foi feita com o progressivo despovoamento dos campos. Com os preços aviltados fomos obrigados a vender cada vez mais gados, até chegarmos às matrizes, que os frigoríficos avidamente abatiam por preços de mercado, mas que não remuneravam o produtor. Agora, com os campos vazios a venda das terras passou a ser inevitável.

Os compradores são de várias origens, mas com uma característica comum: não são pecuaristas e, portanto, sem nenhuma tradição na atividade pastoril. São indústrias, grandes comerciantes, banqueiros e, dizem, donos de dinheiro mal tido, com o que o Pantanal poderá se tornar a grande bacia da lavagem de moeda suja. Nesse momento desaparecerão todos os compromissos do homem com a conservação e a ecologia. Nesse momento, a cultura pantaneira, responsável pela conservação, será tristemente apenas uma notícia histórica. E como dói. Esse será o caminho da destruição.

O caminho da salvação está muito claro e definido: é a manutenção da gente pantaneira em suas terras. E isso se tornou muito fácil. Com os preços recompostos basta uma ajuda creditícia de retenção de matrizes e financiamentos a longo prazo para aquisição de fêmeas. Esse deverá ser, com urgência, objetivo de providências do governo federal, estadual e instituições bancárias. Não conheço ministros, nem parentes de ministros, nem secretários de ministros, ou mesmo um auxiliar de secretário, mas tenho longínqua esperança de que algum político, senadores e deputados, que me leia e aceite a incumbência de salvar o Pantanal. O nosso presidente está lançando um programa creditício à agropecuária para aumento da produção, ora, por que não, uma parcela específica à pecuária pantaneira? Está dentro dos objetivos do presidente, pois se trata de pequenos e médios produtores.

Nesta campanha salvacionista deveria estar toda a comunidade que suspira de emoção diante das belezas pantaneiras e, em particular, as nossas ONGs preocupadas com a preservação do paraíso ecológico. É hora dessas instituições ricas e de enorme prestígio internacional, é hora das ONGs lutarem pelo Pantanal, pois lá a pecuária é uma atividade ecologicamente sustentável. Além disso, o produto pantaneiro vai de encontro a um movimento internacional de busca de qualidade alimentar, pois produz sem agrotóxicos e sem adubação química em pasto natural. O vitelo pantaneiro criado atabalhoadamente poderia ter sido um caminho. Outros projetos poderão surgir feitos de maneira mais profissional com especificações e busca de certificação, por empresas credenciadas em busca de qualidade. Novamente lembro as ONGs que, juntas à Embrapa - Pantanal, poderão ser orientadoras desse novo caminho. Mas, neste momento de pressa e angústia, o mais urgente é manter essa gente, com dignidade, em sua amada querência.

Abílio Leite de Barros - Produtor Rural

Fonte: Correio do Estado

 

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